Perdido em Marte

O livro é bom para caceta! Ponto. O filme eu não assisti, mas pretendo fazê-lo em breve. o problema e que não tem nos serviços de streaming que eu assino (Dez/2021). Enfim, o que mais impressiona é a qualidade técnica que o autor possui. Impressionante, mesmo. O amigon Andy, o autor do livro, deve ser químico; físico; geólogo; e o caraca a quatro. É bom mesmo, o que torna o protagonista, Mark Watney um Mc Giver mais sofisticado cientificamente falando. Chega à beira de ser cozinhada científica, mas tudo é tão bem explicado e embasado que convence ser possível. (Detalhe, ele também deve ser o Buda em marte, dada a clareza de espírito e lucidez, mesmo em horas de terror).

Fico imaginando da dificuldade de fazer o filme, porque 70% do livro são apenas pensamentos do Mark, salvo algumas conversas malucas com os equipamentos e xingamentos. Deve ter sido complexo!

Andy nasceu em Davis, na Califórnia, mas cresceu na cidade de Livermore, no mesmo estado. Filho de pai físico de partículas e mãe engenheira elétrica, Andy Weir nunca foi um estranho à ciência e tecnologia

A interação do autor com a Nasa deve ter sido intensa e se bobear deve ter rolado um patrocínio, pelo menos um empurrãozinho da agência americana. Mas isso não tira em nada os méritos de Andy Weir. O cara manja muito de física e química e foi aclamado por cientistas e vários profissionais de ambas as áreas.

Essa é a parte boa e legal, mas também tem todo aquele nacionalismo exacerbado americano, que chega a incomodar um pouco, mas de forma alguma compromete.

Nas últimas poucas páginas (não vou dar spoilers), incomoda o fato das piadinhas fora de contexto – o rapaz está fodido, desesperado, só se ferrando há dois anos isolado em Marte, em situação crítica na tentativa de resgate, e isso não é contexto para gracinhas hollywoodianas idiotas! Desnecessárias e fúteis. O humor do Mark é legal e bem-vindo no decorrer da novela…, mas tem limite. Sabe, parece que o livro foi escrito já mirando uma produção de Hollywood, incluindo aquelas falas estúpidas. Aqui estão algumas que retirei do texto (cuidado spoilers)

Alguns motivos que recomendaria livro:

  1. Por ter um texto bem escrito, apesar de boa parte do livro se basear em um ambiente solitário, e ter que contar apenas com os pensamentos do Mark Watney não é chato
  2. A estrutura é boa, e os momentos (capítulos) de transição entre Marte e Terra (Nasa) acontecem nos momentos oportunos
  3. O Andy parece um insider da Nasa e conhece muito do que escreve, inclusive dados técnicos e questões físicas
  4. Tragédias e vitórias do Mark são bem balanceadas

O que não gostei

  1. Piadinhas fora de hora (veja passagens do Kindle a seguir)
  2. Às vezes o desfecho de algumas situações chave são previsíveis.

Passagens do Livro que marquei no Kindle


Perdido em Marte (Andy Weir)

Os piores momentos da vida são precedidos por pequenas observações. O pequeno caroço na lateral do seu corpo que não estava lá antes. Voltar para casa para ficar com sua esposa e encontrar duas taças de vinho na pia.

Perdido em Marte (Andy Weir)

Existe um tratado internacional que diz que nenhum país pode reivindicar algo que não esteja na Terra. E, segundo outro tratado, se você não está no território de nenhum país, a lei que se aplica é a marítima. Então Marte são “águas internacionais”.

Perdido em Marte (Andy Weir)

– Ei, Martinez – disse Beck pelo rádio. – Você pode pôr meus ratos de laboratório em algum lugar seguro? Eles estão no laboratório de biologia. É apenas uma gaiola. – Copiado, Beck – respondeu Martinez. – Vou levá-los para a sala do reator.

Perdido em Marte (Andy Weir)

Diálogos improváveis e idiotas dada as circunstâncias críticas:

Ah, bom – disse Lewis –, se você não vai nos permitir… Espere… espere um minuto… estou olhando para o distintivo no meu ombro e, veja só, eu sou a comandante. Fique sentadinho aí. Estamos indo buscar você. – Engraçadinha

Isso foi uma bobagem. Não conte a ninguém que fiz isso. – Não conte a ninguém que gostei. – Beck sorriu.

Perdido em Marte (Andy Weir)

todo ser humano tem um instinto básico de ajudar os outros. Talvez não pareça ser assim às vezes, mas é verdade.

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