Klara e o Sol

Klara and the Sun

Kazuo Ishiguro

Março de 2021
336 páginas
Companhia das Letras
2021
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Esta é uma obra que facilmente poderia ter sido publicada por um Asimov contemporâneo. O nascido em Nagasaki Kazuo Ishiguro prima pela poesia e beberica claramente nas águas das obras de Isaac Asimov – não dá para afastar o Isaac deste assunto de robôs e androides – e Philip K Dick – não dá para não lembrar de Blade Runner (que na verdade se chama “Androides Sonham com Ovelhas Elétricas?”).

Ishiguro inclusive ganhou com este livro o Nobel de literatura em 2017 e foi também autor de Vestígios do Dia, e que foi transformado em filme nos anos noventa com a sensacional atuação de Anthony Hopkins no papel de um mordomo bem peculiar em uma casa bem especial. Mas isso é assunto para outra hora (já está na minha lista de leitura).

O livro realmente decola no capítulo cinco, mas os quatro primeiros são fundamentais para embasar alguns valores do livro e posicionar as personagens. Claro que o autor leva ao leitor a suspeitar de situações, que não acontecem da forma esperada, mas que por sua vez acontecem de forma mais surpreendentes (me segurando para não dar “spoilers” 🙂

O que chama a atenção são as alegorias que o texto possui para representar sentimentos como esperança, amor, e inconformismo frente a morte (e vida). Há muitas referências e nenhuma fala dos personagens é em vão.

Cinco motivos (não estrelinhas) de ter gostado do livro:

  1. O livro não pretende ser um super clássico de ficção, usa a ficção mais como contexto e funciona muito bem
  2. A estória é fluída e todos os personagens têm “algo” a dizer, ou seja, são interessantes para o leitor
  3. Há uma tensão psicológica construída nos quatro primeiros capítulos, o que torna o livro um “page turner”
  4. Ishiguro foge dos clichês fáceis e banais
  5. É um Asimov like… Philip K Dick like… 🙂

e mais…

A leitura de Klara e o Sol faz com que perdoemos nós mesmos de livros ruins que lemos no recente passado. Vida longa a Kazuo San. Que ele possa deitar muito mais palavras no papel para que possamos possuí-las. amém!

Ishiguro inclusive ganhou com este livro o Nobel de literatura em 2017 (https://www.nobelprize.org/prizes/literature/2017/summary/) e foi também autor de Vestígios do Dia, e que foi transformado em filme nos anos noventa com a sensacional atuação de Anthony Hopkins no papel de um mordomo bem peculiar em uma casa bem especial. Mas isso é assunto para outra hora (já está na minha lista de leitura).

O livro realmente decola no capítulo cinco mas os quatro primeiros são fundamentais para embasar alguns valores do livro e posicionar as personagens. Claro que o autor leva ao leitor a suspeitar de situações, que não acontecem da forma esperada, mas que por sua vez acontecem de forma mais surpreendentes (me segurando para não dar “spoilers” 🙂

O que chama a atenção são as alegorias que o texto possui para representar sentimentos como esperança, amor, e inconformismo frente a morte (e vida). Há muitas referências e nenhuma fala dos personagens é em vão.

A leitura de Klara e o Sol faz com que perdoemos nós mesmos de livros ruins que lemos no recente passado. Como postei no Twitter e no meu podcast, vida longa a Kazuo San. Que ele possa deitar muito mais palavras no papel para que possamos possuí-las. amém!

Do ganhador do Nobel Kazuo Ishiguro, autor dos livros “Não me Abandone Jamais” e “O Gigante Enterrado”, Klara e o Sol é um romance sobre o que significa ser humano e cuidar dos outros

Da resenha da editora:

“Klara, um Amigo Artificial com habilidades de observação impressionantes, estuda com cuidado o comportamento de todos que passam pela vitrine. Do lugar onde foi designada a ficar na loja, ela espera que uma dessas pessoas entre e a escolha como companheira. Contudo, quando surge a possibilidade de sua vida mudar para sempre, Klara é aconselhada a não apostar suas fichas na bondade humana.
Neste novo livro, Kazuo Ishiguro examina o mundo moderno pelos olhos de uma narradora inesquecível. Com uma linguagem única e precisa, ele constrói um romance arrebatador sobre o significado do amor e do cuidado.”

Minhas passagens marcadas no Kindle:

Minhas passagens marcadas no Kindle:

Klara e o Sol (Kazuo Ishiguro)

“Às vezes”, ela disse, “em momentos especiais como esse, as pessoas sentem uma certa dor junto com a felicidade. Fico feliz que você observe tudo com tanta atenção, Klara.”

Klara e o Sol (Kazuo Ishiguro)

Sua habilidade de captar e contextualizar tudo o que vê à sua volta é francamente excepcional. – (comentário: Perspicácia digital?)

Klara e o Sol (Kazuo Ishiguro)

Sua habilidade de captar e contextualizar tudo o que vê à sua volta é francamente excepcional.

Klara e o Sol (Kazuo Ishiguro)

Você faz coisas lindas com as cores, Josie. Coisas que nem passam pela cabeça das outras pessoas.” “Mãe… Todos os pais acham isso dos desenhos dos filhos. Tem a ver com o processo evolutivo.”

Klara e o Sol (Kazuo Ishiguro)

as pessoas muitas vezes sentiam a necessidade de preparar um lado de si mesmas para exibir aos transeuntes — como fariam na vitrine de uma loja —, e que não era necessário levar tal exibição tão a sério depois que o momento passava.

Klara e o Sol (Kazuo Ishiguro)

“Deve ser ótimo. Não sentir falta das coisas. Não sonhar em ter algo de volta. Não viver pensando no passado. Deve ser tudo tão mais…”.

Klara e o Sol (Kazuo Ishiguro)

até que ponto os humanos, em seu anseio de fugir da solidão, faziam manobras muito complexas e difíceis de compreender, e eu não descartava a possibilidade de que, desde o início, as consequências da viagem a Morgan’s Falls não estivessem sob meu controle.

Klara e o Sol (Kazuo Ishiguro)

Não estou falando do órgão em si, claro. Estou falando no sentido poético. O coração humano. Você acha que existe uma coisa assim? Uma coisa que faz com que cada um de nós seja especial, único? E digamos que exista. Você não acha então que, para de fato aprender a Josie, você teria que aprender não só os maneirismos dela, mas também o que ela tem de mais profundo? Você não teria que aprender o coração dela?” “Sim, sem dúvida.”

Klara e o Sol (Kazuo Ishiguro)

Pensei nisso por um momento e respondi: “Claro, é inevitável que o coração humano seja complexo. Mas deve haver um limite. Mesmo que o sr. Paul esteja falando no sentido poético, as coisas que há para aprender em algum momento chegarão ao fim. O coração de Josie pode até se assemelhar a uma estranha casa com cômodos dentro de outros cômodos. Mas se essa for a melhor maneira de salvar Josie, eu me esforçarei ao máximo. E acredito que há uma grande probabilidade de que eu seja bem-sucedida.”

Klara e o Sol (Kazuo Ishiguro)

“Eu estou bem, Pai. Só que eu não sou tipo um programa de TV, sabe? Não posso ser incrível e divertida o dia inteiro. Às vezes só quero sentar e ficar numa boa.”

Klara e o Sol (Kazuo Ishiguro)

“Mas quem disse que eu me sinto solitária? Eu não me sinto solitária.” “Talvez todos os humanos sejam solitários. Ou pelo menos possam se tornar.”

Klara e o Sol (Kazuo Ishiguro)

“Olha. Eu não quero que você fale nada que possa pôr a saúde da Josie novamente em risco. Mas vou dizer o seguinte. No momento em que você passou adiante a informação de que eu e a Josie nos amávamos, era verdade. Ninguém pode dizer que você enganou ou iludiu as pessoas. Mas, agora que não somos mais crianças, temos que desejar o melhor um para o outro e seguir cada um o seu caminho. Não tinha como funcionar, isso de eu ir pra universidade, pra tentar competir com aquele pessoal elevado. Agora eu tenho os meus planos, e é assim que tem que ser. Mas não era uma mentira, Klara. E, de algum jeito engraçado, continua não sendo mentira”. “Eu me pergunto o que Rick quer dizer com isso.” “Acho que estou querendo dizer que eu e a Josie sempre estaremos juntos em certo sentido, num sentido mais profundo, mesmo se a gente sair pelo mundo e nunca mais se ver. Eu só posso falar por mim. Mas, quando eu estiver longe, sei que sempre vou continuar procurando alguém exatamente como ela. Igual à Josie que eu conhecia, pelo menos. Então nunca foi uma enganação, Klara. Não sei com quem você estava negociando naquela época, mas, se pudessem ver o meu coração, e o coração da Josie, eles saberiam que você não estava tentando passar a perna em ninguém.”

Klara e o Sol (Kazuo Ishiguro)

“Olha. Eu não quero que você fale nada que possa pôr a saúde da Josie novamente em risco. Mas vou dizer o seguinte. No momento em que você passou adiante a informação de que eu e a Josie nos amávamos, era verdade. Ninguém pode dizer que você enganou ou iludiu as pessoas. Mas, agora que não somos mais crianças, temos que desejar o melhor um para o outro e seguir cada um o seu caminho. Não tinha como funcionar, isso de eu ir pra universidade, pra tentar competir com aquele pessoal elevado. Agora eu tenho os meus planos, e é assim que tem que ser. Mas não era uma mentira, Klara. E, de algum jeito engraçado, continua não sendo mentira”. “Eu me pergunto o que Rick quer dizer com isso.” “Acho que estou querendo dizer que eu e a Josie sempre estaremos juntos em certo sentido, num sentido mais profundo, mesmo se a gente sair pelo mundo e nunca mais se ver. Eu só posso falar por mim. Mas, quando eu estiver longe, sei que sempre vou continuar procurando alguém exatamente como ela. Igual à Josie que eu conhecia, pelo menos. Então nunca foi uma enganação, Klara.

Klara e o Sol (Kazuo Ishiguro)

“O sr. Capaldi acreditava que não havia nada de especial dentro de Josie, nada que não pudesse ser continuado. Ele disse à Mãe que havia procurado sem parar e não tinha encontrado nada. Mas hoje eu acredito que ele procurou no lugar errado. Havia, sim, algo muito especial, mas não dentro de Josie. Era dentro das pessoas que a amavam. É por isso que hoje eu acho que o sr. Capaldi estava errado e que eu não teria conseguido. Então estou contente por ter tomado a decisão que tomei.”

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